7 Expressões Acreanas

Acre

1) “Isso tá meio PENSO”

Indica que algo está mais inclinado pra um lado.

2) “Só vim aqui pelo ar-condicionado” (usada especialmente no shopping)

Frase eternizada pela famosa reportagem do G1 ao alegar que a personagem percorreu quilômetros em busca de um ar-condicionado.

3) “vou mermo/fico mermo/quero mermo”’

Reforçando a certeza de ir, ficar ou querer.

4) “parece um seringueiro”

qualifica alguém como tímido, despreparado ou bobo por não conseguir fazer algo.

5) “só tem goma”

explica que a pessoa tem grandes intenções mas nunca chega a concluir o pretendido.

6) “cuidado com os  batedor de Kenner”

preocupa-se com um possível  perigo ao encontrar pessoas perigosas.

7) “bebeu a água do Rio Acre…”

quando um sujeito que ia ter uma rápida estadia no estado, acaba por se encantar e ficar eternamente no Acre.

Cover ears, loud planes fly low

I think about you there, do you know?
Who's gonna love you if I go?

eu cantava essa estrofe como se fosse a minha verdade.

quem iria te amar se eu fosse embora? ninguém. E ninguém te amou, e nem te amará como eu fiz. Por tanto tempo como eu ou com a intensidade minha.

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talvez você tenha entendido, um tanto tardiamente que de deslize em deslize a galinha deixa o galo e como humanos, você veio, enebriado de saudade despejar em mim o que diz ser amor.

lembro bem de suas últimas palavras: não estou pronto pra isso.

e eu estava. Prontíssima, a mando do coração iria onde fosse. E quase fui.

não, não há receita para um amor dar certo, mas talvez eu saiba a contra-receita de um amor: Deixe as sensações secretas, com pitadas de dúvidas e muito desleixo. Cozinhe a expectativa em banho-maria, enquanto prepara a uma grande dose de inércia para despejar em cima de um grande erro.

é tudo bem claro na minha cabeça. Agora, é descartar qualquer lembrança, mesmo as boas, e seguir em frente com a certeza de que mesmo que eu te quisesse, eu não ia te querer. E ainda assim, não te querendo,  não te quero de jeito nenhum.

amor insustentável

Tem dias que eu lembro que não é possível esquecer alguém de uma vez. São aqueles dias que  cada partícula de poeira da minha estante grita seu nome e as perguntas caem ao chão como blocos mais que sólidos de concreto.

Nesses dias eu afasto tudo e tento não multiplicar as dúvidas e principalmente buscar resposta para as perguntas que eu não tenho mesmo como responder, e muito além, que você não fez questão de me ajudar. Sinto saudade do seu antigo você, que se comunicava. Isso claro, antes de eu acabar com tudo. Não há exatamente um sentimento de culpa meu, como a maioria (e me incluo nessa) das pessoas fazem com términos.

“O que eu fiz?” – eu me perguntaria, há algum tempo.

Mas não, não havia nada que eu fizesse, e se teve alguma coisa boa nisso tudo, é que eu não me culpo por seus erros estranhos. Existem pessoas que tem medo da felicidade, e isso parece bem bisonho, até você mesmo sentir uma coisa dessas. Mas digamos assim, se algumas pessoas se atrapalham com a felicidade que tem em mãos, você foi um pouco mais além e jogou fora qualquer possibilidade.

Nesses dias que lembro de ti, lembro do tempo gasto, lembro das perguntas, das sensações boas, do seu sorriso, mas também da dor, dos silêncios desconfortáveis e das inúmeras tentativas minhas de te entender. Lembro dos dois lados, e lembro do terceiro. Do lado que me faz feliz, e logo você some, como uma fumaça desnecessária em setembro, como um príncipe da névoa.

As limitações do amor nos fazem crescer, isso deve estar em qualquer livro de auto-ajuda escrito de outra forma. Se elas nos fazem crescer, nos lembram mais uma vez – quando o amor acaba – que nunca e jamais o amor por si só sustentará qualquer coisa, essa é uma daquelas coisas que não são verdes, são vermelhas mesmo, de perigosas e insuficientes.

essas garotas vibrantes

 PicMonkey Collage

Eu sempre quis ser uma dessas garotas vibrantes. Tipo a Claire Colburn de ‘Elizabethtown’ ou a Tangerine do ‘Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças’. Ah essas garotas.

Essas garotas vibrantes são transformadoras, elas chegam na vida  das pessoas e fazem bagunça. São espontâneas, imprevisíveis. São lindas. São capazes de fazer a diferença na vida dos outros protagonistas, que perto delas viram coadjuvantes. São uma mistura de positivismo extremo a uma depressão profunda.

Eu as acho tão reais, tão impulsivas, vivas. Tão necessárias ao mundo, porque elas não parecem ter medo. E o seus sorrisos conseguem consertar qualquer situação, enquanto sua tristeza tira qualquer pessoa do prumo. Essas meninas tem um poder, poder de atração…parecem que sabem que deveriam estar exatamente onde estão e se não, sabem pra onde ir e quem delas precisam.

Porque elas só existem porque alguém as necessita. Eu não sei se já conheci alguma, eu não sei se sou uma. Sei que sempre quis. Há quem ache todas essas coisas difíceis de lidar: imprevisão, impulso, coragem, bagunça… mas eu, sei lá, acho tudo isso interessante e preciso. Se um dia eu encontrasse uma garota vibrante ia querer que ela continuasse na minha vida pra sempre, porque sei que elas alegram a vida da gente e que um caos constante depois de um tempo, vira só um belo caos.

deixando a vida passar com estações de trem e esteiras de academia;

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Me disseram esses dias que eu ando deixando a vida passar. Na hora eu me imaginei num daqueles filmes que passam na Sessão da Tarde, com fotografia alaranjada de outono, sentada numa estação…olhando os trens passarem. Pois bem, aqui é o Acre, e de laranja só temos a nossa pele após o sol de meio dia.

Deixar a vida passar. Passar pra onde? E eu deixo? Nunca me achei desse tipo que deixa as coisas passarem, o que é meu fica, se passou é porque não me pertence mais. A minha vida não me pertence então? é de quem?

Bom, talvez eu esteja mesmo viajando, pintando meus cabelos de todas as cores e fugindo um tanto da realidade. E a realidade é um saco, vocês sabem, mas também nunca me achei o tipo que foge da realidade. É, talvez eu tenha me perdido um pouco de mim. Essas coisas de deixar a vida passar deixa a gente um pouco triste. Parece que a gente faz porque quer, como se de repente decidíssemos como numa passeata sentar na estação da Sessão da Tarde, mas ei… não é assim não, bicho.

Eu pensei durante esse tempo, que eu estava deixando a vida correr pra… bem, eu ia terminar essa frase de alguma forma, até que deletei o que nem tinha começado direito, porque acabei de ver que eu estou deixando mesmo. Só que eu pensei que deixar a vida correr seria bom, como se ela fosse e eu ficasse esperando um tanto, porque… eu já corri um tanto atrás da vida e na minha cabeça – não que um dia ela fosse correr atrás de mim mas – pelo menos um pouco de descanso, vai.

Aí de estação de trem, eu me imagino numa esteira de academia, mas dessa vez eu sou uma obesa, que nem consegue correr direito e a vida fica ali um pouco além da esteira. E pra minha agonia, a gorda aqui vai ter que ralar e subir nessa coisa elétrica, com passos de formiga e sem vontade. Pensando aqui em quando isso começou, esse negócio de deixar la vita passare, eu de supetão ia escrever que não sabia quando isso acontecia, mas eu sei sim, e acho que a gente sempre sabe. Aquele momento em que você diz pra si “agora dane-se” e (in)conscientemente começa a ligar o piloto automático, fazendo dos dias uma repetição de semanas de um mês vazio. Eu sei exatamente quando e porquê aconteceu, e porque eu continuei na estação e porque estou agora diante da esteira.

Não é de me orgulhar essa luz em saber das minhas motivações negativas de estar assim, porque orgulho seria se eu não estivesse contando aqui que ando parecendo um peso de porta, porém, acho que talvez ajude saber que uma hora a nossa mente tem uma iluminação e “pior” que isso, uma admissão e você pensa: “é, é isso mesmo…é essa merda toda aí e eu vou consertar, já que não tenho mais o que fazer” então a gente vai e melhora, ou não. Ou escreve que vai melhorar, pra melhorar . Ou escreve, pensa nisso tudo e melhora, só por já ter escrito que vai melhorar.